CONGRESSO INTERNACIONAL DOS 75 ANOS DE  A SELVA

(28 a 31 de Julho de 2005)

   

Veja o

 

Programa do Congresso

 

Cor    Monocromático

 

Por ocasião do 75º aniversário da publicação de A SELVA, vai este Centro de Estudos co-organizar com a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, um Congresso Internacional para assinalar esta efeméride, de 28 a 30 de Julho de 2005, em Ossela e Oliveira de Azeméis, terra natal e sede de concelho de Ferreira de Castro.

 

Ferreira de Castro tentou criar a última página do Génesis, que segundo Euclides da Cunha, ainda restava por escrever, seguindo talvez a sugestão do autor dos Sertões, o qual foi objecto de uma homenagem epigráfica na portada da sua grande epopeia. Forêt Vierge, assim intitularam os franceses a tradução deste grande romance, que percorreu e continua a percorrer o mundo, traduzido em dezenas de línguas -  o que faz dele o livro que mais deu a conhecer a literatura portuguesa e o inferno amazónico a povos de todas as latitudes - , relata, como escreve Ferreira de Castro, no “Pórtico”,  a luta inglória de gente sem crónica definitiva, que à extracção da borracha entregava a sua fome, a sua liberdade e a sua existência.

 

Obra-prima, cuja maior parte foi escrita à luz difusa de um candeeiro de petróleo, por alguém que viveu os horrores e os êxtases que descreve, como se [ele] a escrevesse realmente na selva, numa dessas barracas perdidas nas imensas solidões, onde a electricidade, como elemento de progresso e conforto, havia apenas a notícia de que ela existia, mas em lugares mais felizes, longe,  muito longe dali, como confessa o autor na “Pequena História de «A Selva».

Livro brasileiro escrito por um escritor português, no dizer de Afrânio Coutinho, que viu nele o filme ideal da Amazónia, um romance vivido e vivo, delineado por Ferreira de Castro, um Gorki, transplantado na América.

Um dos seus principais tradutores, Blaise Cendrars, confessou ter encontrado em Ferreira de Castro enfin un écrivain qui savait évoquer  comme personne les beautés et les horreurs de l’Amazonie, décrire la nature du tropique, noter les bizarreries, les caprices, les extravagances qui naissent sous ce climat d’eau et de feu, mais encore qui parlait aussi des hommes qui habitent cette terre, qui vivent, qui luttent, qui souffrent dans des clairières de la forêt vierge, les sauvages, les primitifs, les autochtones, les natifs, les «caboclos», les paysans libres, les ouvriers agricoles, les colons, les planteurs, les négociants, mais aussi les transplantés et les émigrants – et, parmi ces derniers, un civilisé comme Ferreira de Castro lui-même, qui est allé en forêt, non pour écrire un livre ou par curiosité, mais comme le plus humble des émigrants portugais pour y gagner son pain et, qui, des années plus tard, s’est vu contraint d’écrire son fameux roman sur l’Amazonie pour se libérer d’une hantise.

Há pouco mais de um lustro, por ocasião do 20.º aniversário da morte de Ferreira de Castro, Agustina Bessa-Luís confessou que deve à leitura de A SELVA a sua vocação literária e evocou uma viagem que fez pela selva amazónica procurando o encontro com o português de Manaus como uma espécie de oração, prendendo-se a cada passo por ele dado, porque para a autora de A Sibila, o Amazonas resplandecia da presença de Ferreira de Castro.

Ora, um dos mais celebrados de sempre, no estrangeiro e no seu país, de todos os escritores portugueses está votado ao esquecimento - como muitos outros grandes criadores da sua estirpe - por via de modas e futilidades e  também por ignorância daqueles que nem sequer podem fazer uma pequena ideia da projecção internacional e do renome literário que alcançou, impossibilitados assim de tirarem proveito da magnífica lição de humanismo e de literatura que nos legou.

O Centro de Estudos Ferreira de Castro, ao organizar este Congresso Internacional, pretende contrariar esta tendência e prestar homenagem a quem levou tão longe e ergueu tão alto o nome de Portugal e das letras lusas.

As áreas temáticas previstas para serem abordadas nas diversas sessões do Congresso são: A SELVA na literatura portuguesa e internacional, A SELVA e os seus tradutores, A SELVA e os seus ilustradores, A SELVA e o ensino da literatura, A SELVA e o cinema, A SELVA e os editores.

 

O Coordenador Científico do Congresso

 

Prof. Doutor Pedro Calheiros

(Prof. de Literatura Portuguesa e Brasileira da Universidade de Aveiro)

 

COMISSÃO ORGANIZADORA

- Carlos Alberto Castro – Centro de Estudos  Ferreira de Castro

- Filipe Ferreira  – Centro de Estudos  Ferreira de Castro

- Dr.ª Ivone Ferreira  - Esc. Secundária Ferreira de Castro  e Cent. Est. F. de Castro

- Prof. Doutor Pedro Calheiros – Universidade de Aveiro

- Dr. Ricardo António Alves – Museu Ferreira de Castro (Sintra) e Centro Est. F.Castro

- Prof. Doutor Silas Granjo – Universidade de Aveiro

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