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PÓRTICO
(Em uso nas edições posteriores a 1955, data da Edição Comemorativa dos 25 anos do romance)
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Eu
devia este livro a essa majestade verde,
soberba e enigmática, que é a selva amazónica, pelo muito que nela sofri
durante os primeiros anos da minha adolescência e pela coragem que me deu para
o resto da vida.
E
devia-o, sobretudo, aos anónimos desbravadores, que viriam a ser meus
companheiros, meus irmãos, gente humilde que me antecedeu ou acompanhou na
brenha, gente sem crónica definitiva, que à extracção da borracha entregava
a sua fome, a sua liberdade e a sua existência. Devia-lhes
este livro, que constitui um pequeno capítulo da obra que há-de
registar a tremenda caminhada dos deserdados através dos séculos, em busca de
pão e de justiça.
A
luta de cearenses e maranhenses nas florestas da Amazónia é uma epopeia de que
não ajuíza quem, no resto do Mundo, se deixa conduzir, veloz e comodamente,
num automóvel com rodas de borracha --
da borracha que esses homens, humildemente heróicos, tiram à selva misteriosa
e implacável.
FERREIRA
DE CASTRO
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