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(Crítico literário norte-americano)
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Acabei
de ler um livro a noite passada e depois saí de casa para me afastar dele. Mas
onde quer que passem as estradas para automóveis, onde quer que pisem os
sapatos com saltos de borracha, onde quer que uma borracha apague, sei, como
sabia a noite passada, que nunca voltarei a sentir-me livre, que nunca serei
capaz de esquecer aquele livro. Porque ele conta como a borracha é, na verdade,
conseguida.
É
também um romancezinho inocente, exteriormente. A capa não nos diz nada do seu
fogo interior. Está cheia de luz do Sol e de sombras como a capa de um livro
chamado Jungle
deveria estar. Depois há uma pequena nota
de tradução por Charles Duff referindo-se ao autor português, ao estilo
intraduzível de Ferreira de Castro e à maneira como ele emprega palavras e
expressões que não têm equivalente exacto em inglês e não são encontradas
em trabalhos de consulta.
Assim
me enfronhei
na Amazónia com este brilhante e jovem estilista português. E achei que o
romance de Castro, imensamente autobiográfico e capaz de ser o melhor dos
produtos portugueses modernos, começava a entrar-me no fato, na pele, no coração,
nos ossos, na medula e na consciência. Foi nesta altura que passei a reparar no
significado espantoso e real do ruído da borracha do tráfego da Church Avenue
sob a minha janela. Fiz força sobre os meus saltos de borracha. Who-o-oh!
A
história de Alberto, um estudante universitário exilado de Portugal que ganha
a vida como seringueiro numa grande plantação de borracha da Amazónia, é
daqueles entrechos que reveste a própria verdade de um brilho e calor novos.
As
vidas dos trabalhadores destas colónias de borracha, a sua antinatural válvula
de escape de restrições, de paixão, os seus anseios e atribulações são
contados com um fervor inesquecível.
(In
Daily Mirror,
de Nova Iorque.)
Obras de Ferreira de Castro, vol. I. Porto: Lello & Irmão, Editores, 1977, pp. 546.
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